Maurício pegou seu celular e conferiu as mensagens de texto. Apenas uma. "Seu imbecil". Triste, apagou a mensagem e resolveu conferir seus e-mails. De cara, mais uma intimidação. Cerca de 20 novos e-mails, todos com mensagens ofensivas e ameaças de colegas de aula. Magoado, deixou o computador de lado e se aprontou para ir a aula, encarar aqueles mesmos colegas que haviam apelado para ofensas e ameaças.
Maurício faz parte de um relato fictício, mas pode ser qualquer menor de idade sofrendo cyberbullying. Se o bullying - que é o nome dado à intimidação e humilhação de crianças e adolescentes por outros da mesma faixa etária - já era um problema físico, agora seguiu o padrão mundial e virou virtual. A sua versão cibernética utiliza a internet, aparelhos eletrônicos e dispositivos tecnológicos para atormentar os jovens, partindo de ataques diretos ou apoiados de outros parceiros.
O bullying não é uma novidade. Prática comum em colégios, as crianças privilegiadas fisicamente costumam descontar qualquer frustração em cima de seus colegas menores ou introspectivos. Muitas vezes, a humilhação continua por anos até a formatura, mas, recentemente, as vítimas responderam da pior forma. Nos Estados Unidos, onde não só o bullying é comum como até os anos 90 tratado como algo normal, os alunos vitimados escolheram tomar a própria vida, e, em alguns casos, a dos colegas.
Já o cyberbullying, que pode ter os mesmos resultados, como o suicídio e a reação desproporcional por parte das vítimas, ainda deixa de ter escapatória. Qualquer colega com o telefone ou e-mail de suas vítimas pode aproveitar para atormentá-lo constantemente. E as escolas ainda não podem fazer nada. Seu controle se restringe a seus domínios. Fora do território escolar, os valentões estão livre para agir como bem entenderem.
Tudo é facilitado pelo horizonte que a internet proporciona. É fácil ridicularizar e humilhar outros escondidos pelo anonimato e distância física. Pela utilização de redes sociais, imageboards e fóruns, o bully ainda intimida qualquer um que discorde de sua conduta. O leque de opções deixa de ser apenas conhecidos e vira-se para todo aquele que estiver ao alcance.
Resolvendo o problema
Mais de um site é dedicado à conscientização para o problema do cyberbullying. Iniciativas como a STOP Cyberbullying, concentrada em acabar com o problema, tornaram-se comuns, mas o próprio site diz que a educação dada pelos pais às crianças é a principal iniciativa. Sites de acusações anônimas também foram criados, e, desde 2010, há uma crescente utilização.
Mesmo com a resolução em um futuro turvo, o importante é ensinar as crianças que sempre há solução. O tempo resolverá, ou buscar a ajuda de adultos e autoridades em casos mais extremos pode ser benéfico. O importante é manter a calma e buscar resolver. Os conselhos mais piegas podem ser os melhores em alguns casos. Nesse, é simples: tudo ficará bem.
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