segunda-feira, 28 de março de 2011
Roubo eletrônico
Impacto no tradicional
Virtual e exponencial
terça-feira, 22 de março de 2011
Artesanal na Capital
Maltes, água, lúpulo e fermento. Enquanto a composição de uma cerveja é simples, há muito mais para aqueles que a tomaram por hobby. A produção de cerveja artesanal no Rio Grande do Sul cresceu muito nos últimos anos, e essa evolução e potencial motivam interessados no assunto.
Enquanto a cerveja artesanal cresce no país, ela também não deixa de ser um cenário de potencial, não de solidez. O atraso para a participação dos brasileiros nesse meio deve-se muito à cultura brasileira, onde as grandes cervejarias dominam. “O cenário atual é promissor. É um nicho de oportunidades, mas onde existe muito empirismo. O tempo vai moldar os padrões deste consumo no Brasil”, diz Eduardo Boger, médico de 42 anos, residente em Porto Alegre, que faz cerveja desde 2003 e em 2005 estabeleceu a cervejaria artesanal BSG com dois amigos.
Além da BSG, em Porto Alegre ainda há uma série de cervejarias artesanais ou micro-cervejarias de expressão, como a Coruja, a Whitehead, a Proust Bier e muitas outras. Em Pelotas, o cenário é muito mais limitado. Apenas duas cervejarias artesanais, a Süden Bier e a Mondi Bier, e uma micro-cervejaria, a Original Bier, se destacam.
“Pelotas não tem um potencial tão grande quanto Porto Alegre, mas eu não acho motivo nenhum pelo qual uma cervejaria não poderia ser bem sucedida aqui na cidade”, diz Maurício Thiel, cervejeiro da Süden Bier, fundada em 2010 junto de outros quatro amigos. “Além de nós [da Süden Bier], conhecemos muitas pessoas interessadas por cerveja. Temos que motivar o pessoal a provar, não podemos desistir sem tentar.”
Eduardo complementa: “Embora as grandes cervejarias dominem, são produtos distintos [cervejas populares e artesanais]. O carro popular chinês vai tirar espaço de quem anda de SUV? Não. Quem consume um, eventualmente consume outro, mas são focos distintos. A cerveja de consumo massivo apóia-se no marketing com apelo comportamental e inclusive sexual. A cerveja artesanal oferece qualidade e sabor.”
Negócio ou hobby?
Diferente dos Estados Unidos, um dos mais sólidos mercados de cervejas especiais, no Brasil é raro achar tantas opções. Lá, inclusive pelo tamanho do país, cervejarias são produtos locais, cada estabelecimento abastece uma cidade, mas sem excluir as grandes indústrias. Aqui, os cervejeiros se concentram em grandes cidades e nas capitais, como Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, e são minoria, apagados pelo monopólio das grandes cervejarias.
Do exterior, no entanto, podem-se citar as inspirações de quase todos cervejeiros. “Eles fazem uma fusão do tradicional com uma leitura muito particular, assimilando a cultura e ingredientes locais. Avery, Dogfish Head, Deschutes, Sierra Nevada, Russian River, Revolution, entre tantas outras que se destacam, são grandes cervejarias”, diz Eduardo. “Quando fazemos cerveja, nos baseamos no estilo da Brooklyn, de Nova York, da Chipswick, de Londres, e das cervejarias belgas e escocesas, como a Duvel, a Chimay e a Brew Dog.”, afirma Maurício.
De lá, também, vem o exemplo que Eduardo acha que os brasileiros cervejeiros devem seguir, para continuar imaginando um futuro promissor para seu hobby. “Os americanos estão trinta anos na frente. Eles têm uma forte influência de escolas inglesas e belgas, aqui no Brasil pensamos ainda que cerveja seja coisa de alemão”, diz. “Tem que acabar essa confusão, para mostrar que, realmente, a cerveja artesanal é um produto diferenciado.”
As cervejas artesanais e micro-cervejarias brasileiras crescem como nunca no mercado brasileiro, mas são apenas mais um reflexo da economia em ascenção do país. No futuro, talvez tenhamos, realmente, um público interessado em cervejas de alta qualidade, e o monopólio das grandes fábricas terminem. Enquanto isso, os apaixonados pela bebida, como os cervejeiros da BSG e da Süden Bier, resistem, sempre concentrados na qualidade do que servem: cerveja especial, diferenciada, feita à base de malte, lúpulo, água e fermento.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Embate ministerial: reforma prejudicada
Marcos de Souza preparava o projeto desde 2009 - inclusive passando por consulta pública - com uma série de aperfeiçoamentos na proteção ao autor e no sentido de trabalhos compartilhados e com destaque à atuação da cultura em rede cibernética. A ministra Ana de Hollanda ofereceu uma mudança de cargo a Souza, que negou e preferiu pedir a demissão. Marcia Regina é favorável aos ideais da ministra, que incluem o apoio à limitação das mudanças.
Enquanto a disputa pode ser considerada um retrocesso na construção de uma consciência cultural coletiva - explorando os novos meios de comunicação -, a decisão ministerial não passou despercebida. Dentre os protestos, amplas críticas ciberculturais e a ameaça de afastamento de 16 funcionários do Ministério da Cultura.
A briga é mais antiga que a situação atual. Com o novo governo, o padrão internacional de licenciamento de propriedade intelectual parou de ter o respaldo ministerial, e a confusão iniciou com a mudança de decisões da ministra, que, a princípio, apoiava os esforços em relação à reformulação da lei dos direitos autorais, desde que passasse pela criação de um órgão responsável pela distribuição de royalties para artistas.
O próprio governo derrubou a idéia da nova instituição regulamentadora, idéia defendida pela equipe de Marcos de Souza e rebatida principalmente por gravadoras, editoras e inclusive a Academia Brasileira de Letras. Marcos foi deixado para resolver sozinho as vozes contraditórias, que acabou gerando sua queda da diretoria.
A ministra não ignorou apenas o fato da reconstrução da lei, mas preferiu tomar o lado das vozes contraditórias, que incluiam instituições ligadas fortemente ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Distribuição), órgão governamental que sofria o maior dos baques com a reforma. Possivelmente assustada com a repercussão entre grandes forças políticas, a ministra tomou as rédeas da situação - demitindo o diretor e colocando uma nova responsável, desta vez, favorável às suas pressões e opiniões.
A principal polêmica ainda não tem previsão de resolução, na qual o único projeto preparado ainda é o produzido pela equipe de Marcos de Souza, e a mudança de direção não prevê a releitura de extensivas pesquisas já feitas. O episódio foi sumariamente resolvido eliminando o elo mais fraco da disputa, e não tem, ainda, no horizonte, resolução favorável a todos os lados.