Na série de matérias, vimos como o e-commerce ganhou terreno e suas vantagens, mas não exploramos as suas desvantagens. Para tanto, entrevistamos o médico pelotense R. O.*, de 49 anos, e que sofreu nas mãos de criminosos virtuais, perdendo mais de 25 mil reais. As investigações que estão sendo realizadas neste mês indicam um envolvimento de compras online.
Jornalismo Digital - Quando você percebeu o crime?
R. O. - Agora, em março, dia três, estava acessando normalmente minha conta bancária do Banrisul através do meu notebook e percebi uma série de transferências que eu nunca tinha feito. Elas datavam desde janeiro de 2010 até novembro, mais de 100, cada uma tirando de duzentos a trezentos reais. Perdi, no total, quase 30 mil.
Na investigação da polícia, admitiram o envolvimento do crime com uma compra pela internet. O que lhe foi dito?
Sempre comprei pela internet. Meu filho foi um fator determinante, ele tem 20 anos e compra desde 2005 vários livros, eletrônicos. Eu percebi como era fácil e por vezes até ficávamos juntos durante a noite assistindo televisão e procurando pechinchas. O que me disseram, inclusive, depois que mandei procurarem por vírus no meu notebook, foi que estavam me monitorando, observando minhas transações, e pensaram: "Ei, esse cara tem dinheiro". Aí foi fácil, obtiveram meu cartão e senhas com um programa que eu não saberia dizer o nome e tiraram aos poucos para eu não perceber.
Mesmo com os procedimentos de segurança dos sites?
Sinceramente? Não acho mais que eles sirvam para muita coisa. Você digita seu cartão, certo? Meu filho disse, existem programas que podem saber o que você digita [keyloggers]. Não deve ter muito segredo perceber um número de cartão de crédito. Não deve ser nada difícil acessar uma conta virtual depois de ter o cartão. Aconteceu comigo e perdi 30 mil reais.
Você não tem medo de acontecer mais uma vez?
Não uso mais o meu cartão para as compras, mas também não posso parar de comprar. Tem coisas que só achamos online. Se tenho medo de acontecer? Claro. Quem gosta de perder dinheiro? Mas agora uso o cartão do meu filho. Deposito exatamente a quantia que vou gastar e utilizo o dele. Se ele sofrer o mesmo golpe, ele vai perder muito menos. Ele também sabe se proteger melhor. A geração dele é mais interessada nessas coisas. Eu só quero comprar com facilidade.
* - O médico pediu para não ser identificado, devido à exposição de valores.
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